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Como eram os cadernos de desenhos de artistas famosos?

Os cadernos de desenhos que possivelmente estão nos bolsos e bolsas de todo artista possuem um tesouro de criatividade e intimidade. Também conhecidos como sketchbooks, esses cadernos oferecem uma janela única para o mundo criativo de seus proprietários. Repletos esboços, anotações, estudos de cores e até cópias de obras dos antigos mestres, eles capturam os pensamentos e as inspirações dos artistas em seu estado mais puro.


Mas esses cadernos podem ser mais do que meros registros de ideias; são testemunhas do processo criativo em ação. Dentro de suas páginas desalinhadas, rabiscos e anotações aparentemente aleatórias ganham vida, transformando-se em trabalhos finalizados ou servindo como gatilhos para criações futuras. O simples ato de revisitar esses esboços e notas pode desencadear novas ideias, revelando um ciclo contínuo de inspiração e refinamento.


Dos esboços meticulosos aos rápidos rascunhos, cada página conta uma história única. Alguns esboços são miniaturas simples, capturando a essência de uma ideia com rapidez e simplicidade, enquanto outros se transformam em pinturas elaboradas. Independente do destino final, cada esboço contribui para o desenvolvimento das habilidades de observação e confiança do artista.


Mas os cadernos de desenho não são apenas ferramentas para os artistas contemporâneos. Eles também servem como uma janela para o passado, permitindo que os entusiastas da arte examinem os registros visuais dos mestres antigos. Museus e bibliotecas oferecem acesso a esses tesouros preservados, proporcionando uma visão íntima do processo criativo de alguns dos maiores artistas da história.


Contudo, a questão permanece: foram esses cadernos planejados para serem compartilhados com o mundo? Para alguns artistas, talvez sim, conscientes de que seus registros seriam estudados e admirados por futuras gerações. Para outros, no entanto, os cadernos eram destinados apenas aos olhos do próprio criador, um refúgio privado de expressão e experimentação.


Te convidamos para uma viagem aos cadernos de artistas que marcaram seus nomes na História da Arte e como eles registravam suas ideias e inspirações.


Tarsila do Amaral

Ícone do modernismo brasileiro, Tarsila é um dos maiores nomes da arte nacional. Tarsila fez parte do movimento artístico modernista, responsável por apresentar ao mundo uma nova fase nas artes visuais em terras brasileiras. Recentemente, alguns supostos desenhos da artistas se tornaram pivôs de uma briga judicial que buscava reconhecimento de sua autoria para uma possível venda por cerca de R$ 1 milhão.



Vale lembrar que Tarsila é uma das mais valiosas do nosso país. A tela “A Lua” foi comprada pelo MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, em 2019, por uma cifra em torno de R$ 75 milhões. Já “A Caipirinha” bateu recorde e saiu por R$ 57,5 milhões, num leilão da Bolsa de Arte, em 2020.






Leonardo Da Vinci

Leonardo da Vinci (15 de abril de 1452 – 2 de maio de 1519) foi um artista, humanista, cientista, filósofo, inventor e naturalista durante o Renascimento italiano.Entre os anos de 1482-1499, aos 30 anos, começou a guardar seus cadernos de anotações. Hoje, existem mais de 7200 páginas únicas, apenas 1/4 do total de sua vasta produção. Eles estão cheios de expressões de pura genialidade.



Da Vinci escreveu e desenhou sobre assuntos como geologia, anatomia (que estudou para pintar a forma humana com mais precisão), voos, gravidade e óptica, passando rapidamente de assunto para assunto em uma única página.





Frida Kahlo

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, mais conhecida como Frida Kahlo, nasceu em 1907 em Coyoacán, no México. Com uma vida pessoal marcada por tragédias, relacionamentos amorosos intensos e forte envolvimento político, suas pinturas traziam muitos simbolismos e elementos autobiográficos, misturando realismo e fantasia.



Seus cadernos são mais parecidos com diários ilustrados. Algumas páginas repletas de imagens e cores, outras páginas repletas de textos extensos apresentando seus pensamentos, dúvidas e sonhos. 






Willian Blake

Artista, poeta, gravador e místico, William Blake manteve um caderno de desenho durante trinta anos, que preencheu com desenhos estudados, esboços preparatórios, poemas e escritos.


A página abaixo contém dois dos poemas mais famosos de Blake, “The Tygre” e “London”.No caderno de desenho abaixo, vemos três ilustrações, incluindo o autorretrato de Blake na página direita e uma coleção de poemas. No canto inferior esquerdo um esboço do que mais tarde se tornaria a gravura Elohim criando Adão .






Cândido Portinari

Considerado um dos mais importantes pintores brasileiros de todos os tempos, Portinari foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional.



Nascido em Brodowski-RJ, em 1903, Portinari pintou mais de cinco mil obras, de pequenos esboços e pinturas de proporções padrão, como O Lavrador de Café, até gigantescos murais, como os painéis Guerra e Paz, presenteados à sede da ONU em Nova Iorque em 1956, e que, em dezembro de 2010, graças aos esforços de seu filho, retornaram para exibição no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.






Por que conhecer os cadernos de desenhos e criar o seu próprio caderno?


Ao folhear os cadernos de desenho dos artistas ao longo dos séculos, somos convidados a uma jornada íntima através das mentes criativas por trás das obras-primas. Podemos observar como estruturaram seus cadernos e o que os motivou em seu processo criativo. Em muitos casos, esses cadernos revelam mais sobre a vida e o método do artista do que suas próprias obras finais.


Ainda que estejamos numa era digital, esta é uma prática muito recomendada para todo e qualquer artista que goste de acumular suas inspirações e deixar sua imaginação correr solta nas folhas em branco.


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